A estratégia chinesa no Médio Oriente prenuncia as ambições do país

Além do seu poder económico, militar e naval, o poder americano assenta na sua rede particularmente densa de alianças. Assim, das 10 maiores potências económicas do mundo, 5 são aliados muito próximos de Washington (Japão, Alemanha, Reino Unido, França e Itália), enquanto a China só pode orgulhar-se de ligações com Moscovo (nº 10 do ranking).

Mas Pequim não tem ambição de ficar satisfeito com esta situação e está a desenvolver, com o seu projecto da Rota da Seda, uma rede de alianças cada vez mais importante, particularmente no Médio Oriente e em África. Como sempre acontece com a China, as coisas são feitas a longo prazo, sem anúncios ou exploração mediática, ao contrário dos Estados Unidos ou da Rússia. No entanto, a presença chinesa no Médio Oriente continua a aumentar, seja nas monarquias do Golfo, no Iraque, no Djibuti ou no Irão. 

O Irão é também objecto de interesse muito particular por parte de Pequim, que continuará a comprar petróleo e gás iranianos apesar das sanções dos EUA. Este apoio é, no entanto, tal como para Moscovo, perfeitamente dominado e controlado para não desencadear a ira dos sauditas ou dos israelitas. Esta é a razão pela qual os contratos de venda de armas a Teerão permanecem limitados e confidenciais. Assim, nem Moscovo nem Pequim autorizaram a venda de sistemas antiaéreos de negação de acesso a Teerão, enquanto ambos competem nesta área na Arábia Saudita, no Qatar ou nos Emirados Árabes Unidos.

Será necessário, no entanto, que a China consiga que um dos países da Região lhe abra acesso para poder mobilizar forças suficientes, sejam terrestres, navais ou aéreas. A base do Djibuti, embora constitua um ponto de apoio interessante, não pode ser utilizada em caso de deterioração da situação, devido à presença americana e francesa. Os generosos empréstimos concedidos por Pequim às capitais regionais poderão muito bem ser, como foi o caso no Pacífico e no Sudeste Asiático, um meio de pressão muito importante a médio prazo. 

Não devemos esquecer, neste cenário, a Turquia de Erdogan, que caminha para o isolamento económico e político, e que poderia muito bem ver na China, mais do que na Rússia, o parceiro ideal, do ponto de vista económico, político e militar, para lidar com uma ruptura com o Ocidente. 

Para saber mais sobre o assunto, leia o artigo em inglês (4 min) – Leia, é excelente!

https://nationalinterest.org/feature/how-china-trying-dominate-middle-east-29922?page=0%2C1

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