A Rússia também é vítima de ataques cibernéticos

Temos frequentemente o hábito, e com razão, de apontar a Rússia como a fonte de ataques cibernéticos contra os interesses ocidentais. É verdade que em inúmeras ocasiões muitos elementos apontaram este país como estando na origem dos ataques. Mas os interesses estratégicos russos são também alvo de numerosos ataques cibernéticos. Assim, segundo Nikolai Murashov, vice-diretor do centro nacional de identificação de incidentes informáticos, o equivalente russo da ANSSI, as instalações nucleares e de defesa do país teriam sido alvo de ataques coordenados com o objetivo de roubar informações, segundo um relatório. enviado pelo GosSOPKA (sistema governamental de identificação, alerta e eliminação dos efeitos dos ataques cibernéticos contra os recursos de TI da Rússia). Segundo ele, a origem dos ataques estava nos Estados Unidos.

Embora seja impossível avaliar a veracidade das afirmações do Sr. Murashov, podemos razoavelmente assumir que os ocidentais, liderados pelos Estados Unidos, também estão a realizar operações cibernéticas para tentar penetrar nos serviços governamentais russos e chineses ou iranianos. Além disso, o porta-voz do Ministério da Defesa russo, major-general Igor Konashenkov, declarou em 25 de junho que o seu ministério tinha neutralizado mais de 25.000 ataques cibernéticos desde 2013, representando um aumento de 60% nos últimos 6 anos.

O relatório GosSOPKA também especifica que 38% dos ataques identificados tiveram como alvo o sistema bancário russo, 35% contra agências estatais, 7% contra infra-estruturas educacionais ou de defesa, 4% contra a indústria espacial e 3% contra centros de saúde. Aqui, novamente, os Estados Unidos são apontados como a principal fonte com 27% dos ataques, seguidos pela China (10%), Países Baixos (4%), França (4%) e Alemanha (3%).

Estes números devem ser encarados com muita cautela, por um lado porque é muito difícil identificar a origem de um ataque cibernético (razão pela qual as acusações são muito difíceis de fazer quando acontece em França), mas também porque carecem de consistência. Ver a Alemanha nesta classificação, e não a Grã-Bretanha, por exemplo, é naturalmente intrigante. Além disso, os principais países que praticam crimes cibernéticos, como a Bulgária ou a Albânia, também estão ausentes. Finalmente, a França, os Países Baixos, a Alemanha e os Estados Unidos estão entre os países que culparam abertamente a Rússia pelos ataques cibernéticos. O facto de estarem identificados nesta lista parece mais uma questão de manobra política do que de realidade técnica.

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