Superestimamos os exércitos russos?

Desde o início da ofensiva russa contra a Ucrânia, os exércitos do Kremlin têm sido cuidadosamente observados por especialistas militares. Este é, de facto, o primeiro destacamento massivo destes exércitos desde a invasão da Geórgia em 2008, uma operação que revelou numerosas falhas graves no seu interior. No entanto, tal como em 2008, parece que os exércitos russos estão a passar por dificuldades significativas, embora as reformas de 2008 e 2012 tenham sido concebidas especificamente para corrigi-las e levar os exércitos russos a um padrão operacional muito superior ao observado no terreno. Nestas condições, e tendo em conta às observações feitas sobre o teatro ucraniano, devemos admitir que os exércitos russos foram sobrestimados tanto pelo Estado-Maior russo como pelo Ocidente? E se for esse o caso, quais poderiam ser as razões dessas inúmeras falhas observadas?

O esforço para modernizar os exércitos russos desde 2008

No início da década de 2010, os exércitos russos eram considerados, no domínio convencional, significativamente inferiores em capacidades e do ponto de vista tecnológico em comparação com os padrões ocidentais. Naquela altura, apenas 35% do equipamento em serviço era considerado moderno pelo Estado-Maior Russo, incluindo em certas áreas críticas, como a dissuasão ou as forças aéreas. Não só a maior parte do equipamento foi herdada da era soviética e mal foi modernizada, mas as próprias unidades russas sofreram falhas significativas e deterioraram as capacidades operacionais. E se tinham registado alguns sucessos, como em 2014 na Crimeia, ou em 2015 no Donbass, ainda mostraram certos limites quando tiveram de enfrentar capacidades modernas, como foi o caso em 2015, no início da operação na Síria.

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As operações na Síria permitiram que as forças armadas russas experimentassem muitos equipamentos e algumas deficiências foram corrigidas.

Foi precisamente para remediar estas deficiências que o Estado-Maior Russo e o Ministério da Defesa, largamente apoiados pelo Kremlin, implementaram várias reformas ambiciosas, como a de 2008 e depois a de 2012. Estas não visavam apenas modernizar o equipamento em serviço dentro das forças, com a chegada de novos equipamentos tanto no domínio terrestre (tanques T80BVM e T72B3), como no domínio aéreo com os caças-bombardeiros Su-34 e o caça de superioridade aérea Su-35, bem como novos navios de combate com novos submarinos (Iassen-M, Improved Kilo) e novas corvetas e fragatas; mas também para conferir aos exércitos uma homogeneidade comparável à observada nos exércitos ocidentais, acelerando a profissionalização das forças.


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